E como um belo ator tragicômico eu vivi.Em momentos tortos, chorando e lutando contra as agonias da vida.Nunca tivera uma vida fácil.Entretanto, jamais pude negar a comicidade dos percalssos de meus caminhos.
Em um momento de decepção, eu refleti bastante.Por um momento, tive o papel principal.Mas aos poucos eu percebi, que a tão desejada atuação de mocinho não me condiz.A confortabilidade do momento deixou-me incorporar o personagem.E vivi para e pela mocinha.Ela era tão indefesa,tão oprimida,tão machucada.
Então roubei e pus a máscara do amante alucinado.E cuidei, protegi e amei a estrela principal daquele teatro.
Sempre preocupado com os antagonistas,amava de forma angustiante.O medo de perder minha Julieta machucava e me sufocava.
Mas eis que a grande atriz implorou a platéia que aquele amor lhe fazia mal.O belo príncipe do cavalo branco não era o fruto de seu amor.Ela amava o vilão de cavalo negro.E resolveu se arrepender.
Se arrependeu das vezes que jurou ,ao mocinho, amor.Sentiu asco por ter se entregado aquele homem que não era um dos melhores atores do elenco.
E nesse jogo de amor e ódio, que muitas vezes, enovelava-se entre atuações e vida real,houve um momento de escuridão no Municipal.
Quando as luzes se acenderam, o horror tomou de conta dos expectadores.
O ator,que fazia o papel do bom moço, encontrava-se ajoelhado, em meio ao palco, com uma adaga cravada ao peito.
E todos silenciaram-se para ouvir o monólogo final daquele jovem ator.
“Durante toda minha existência,usei máscaras.Para me proteger do ódio do mundo,para me proteger do descaso e preconceito das pessoas.Mas amei.E ,nesse momento,despi-me de todos os meus personagens.Por acreditar que encontrara alguém a quem pudesse me mostrar.E o resultado é que me encontro aqui.Prostado,desmascarado,exposto por confiar no amor.Agora o meu peito agoniza e desejo ensadecidamente que o sangue pare de correr para que tamanha dor laçante abandone meu peito.”
As cortinas se fecham e o público levanta uma série de questionamentos sobre o amor e a sua longevidade.É assim que a cena termina.E nos bastidores um novo elenco é escalado,os papéis são invertidos e as máscaras são recolocadas.
Pequeno monstro( é exatamente por isso,pela minha sinceridade, que ninguém me quer.)
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário