domingo, 31 de outubro de 2010

DEVANEIOS DIANTE DE UM FILTRO

E, DEPOIS DE UMA MENSAGEM DE ADEUS, EU RESOLVI ENCHER OS LITROS DE ÁGUA. GOSTO DESSE PROCESSO. VER A ÁGUA DESCENDO DA TORNEIRINHA DO FILTRO. LIMPA, CRISTALINA, TRANSPARENTE. COMO QUASE NUNCA SÃO NOSSAS VIDAS. DEPOIS RECOLOCAR A ÁGUA EM CADA UM DOS DIVERSOS LITROS. É INTERESSANTE PERCEBER COMO A ÁGUA ADQUIRE A FORMA DAQUILO QUE A CONTÉM. E, SIMPLESMENTE, CONTINUA TOMANDO AS DIVERSAS FORMAS DAS COISAS AONDE A COLOCAMOS. E PENSO QUE QUERIA SER ASSIM.ADPATÁVEL. MAS NUNCA O FUI. GOSTO DA COMODIDADE QUE A VIDA ME PROPORCIONA. GOSTO DE PROLONGAR AS COISAS. ODEIO MUDANÇAS. UNICAMENTE PELO PROCESSO DE ADAPTAÇÃO ÀS MESMAS. MUDANÇAS MUITAS VEZES IMPLICAM EM PERCAS. E É EXATAMENTE DESSE SENTIMENTO QUE NÃO GOSTO. NÃO GOSTO DE PERDER.PELO SIMPLES FATO DE QUE MUITA COISA JÁ FOI TIRADA DE MIM.E SEMPRE ACABO ME ACOSTUMANDO COM ISSO.PORÉM ESSE PROCESSO É LONGO E , GERALMENTE, DOLOROSO. ODEIO PERDER PESSOAS. PRINCIPALMENTE PARA A VIDA. QUANDO SE PERDE ALGUÉM PRA MORTE, UNICAMENTE TEMOS QUE NOS CONFORMAR COM ISSO. JÁ QUANDO NOS É ARRANCADO PELA VIDA, TENDEMOS A NOS PERGUNTAR: E SE? FANTASIAMOS POSSÍVEIS REENCONTROS, QUEM SABE NOVAS CHANCES, OU NOVAS MUDANÇAS. E, INFELIZMENTE, SENTIMOS DOR POR ESSAS FALSAS EXPECTATIVAS. E É EXATAMENTE NESSE MOMENTO QUE SINTO VONTADE DE FECHAR A TORNEIRA.
JEAN CARVALHO

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

DOIS REINOS

Naquelas terras, havia dois povos distintos, com modos de viver tão diferentes.Um rio apenas os separava e não poderia haver contato. Mas isso mudaria....

O príncipe vermelho saiu percorrendo os campos em seu cavalo negro. E, ja cansado resolveu descansar na beira de um rio. Meio ofegante afundou o rosto naquelas águas limpas e quando emergiu, avistou um vislumbre de gente.Aquele foco, antes distorcido, tornou-se uma bela visão.Era o príncipe branco do outro reino.Eles riram um para o outro. E sentiram um misto de ansiedade e curiosidade não antes sentido.Sabiam que precisavam se aproximar, e decidiram atravessar o rio. O príncipe vermelho sempre fora impetuosso e como tal lançou –se ao rio.Sem preocupar-se com a correnteza que poderia lhe levar.O príncipe branco ficara perplexo com tamanha ousadia.Mas decidiu dar a mão aquele louco desconhecido.Trocaram o primeiro cumprimento e perceberam o quanto eram diferentes.Mas as diferenças os atraiam, os incitavam a conhecer um ao outro. E durante tal conversa, eles se quiseram e por um instante chegaram a acreditar que poderiam encontrar o meio-termo, o território neutro entre ambos. Sentaram, conheceram-se. E, de tal proximidade surgiu um beijo proibido. A vergonha estampava os seus rostos, mas o querer bem exalava por seus olhos.E decidiram ficar a margem por um tempo. E, durante esse tempo foram muito felizes e chegaram a acreditar num caminho em conjuto.Mas eis que o medo sempre batia a porta de ambos.E o vale do impossível formara-se entre aquele querer.E, quando foi chegado o momento crucial, de se enfrentar os reinos que temiam ser um único, O príncipe branco fraquejou e decidiu retornar sozinho.E, ao príncipe vermelho restou apenas a dor de ter que atravessar aquele rio e retornar para o abandono de seu reino.O príncipe vermelho continua a cavalgar por seus pastos e decidiu que todos os dias iria aquela mesma margem do rio, até o dia em que vislumbraria a coragem nos olhos de seu amado. E, talvez nesse dia, percebam que a diferença entre os seus reinos e entre eles era na verdade a maior semelhança e a única forma de mudar a realidade de suas vidas.

JEAN CARVALHO

sábado, 9 de outubro de 2010

AS VEZES O ADEUS É UMA SEGUNDA CHANCE

Diante de todas as infelicidades, culpas, erros, medos, angústias tendemos a achar que o caminho mais fácil é o da aceitação.O menino chorava. E, mal compreendia porque estava tão só.Durante muito tempo ele viu as relações familiares e suas amizades se perderem.Ele lutou.Lutava desesperadamente para segurar a última mão que ainda lhe atava os dedos.Mas, assim como a neve que cai e derrete quando o sol surge, os dedos escoregavam sempre.E, ele terminava vazio, incompleto.
Só restava a ele sofrer.Não entendia como o que antes era amor hoje ressoava em ódio.Não percebia que a sua luta já a muito era uma batalha vencida.Ora se culpava, ora entendia que era ele o bode expiatório daquela história. A mãe jamais se culparia por ter um filho assim.Ela sabia que o seu Deus, e,nesse ponto o menino entendia que esse Deus era o Deus dela e não o Deus em quem ele acreditava, jamais permitiria em sua consciência que fosse esse o caminho do filho. O pai jamais admitiria tal coisa.Vergonha como essa nunca passaria.E o menino chorou.E o seu interior mudara.Sentiasse raivoso, mas não perdia a esperança de sorrir novamente.Pensava que um dia voltaria a segurar em suas mãos.
A vida era dura, ardúa.Sabia que estaria sozinho.Eis que era o seu momento de entender que jamais se recupera o que se foi perdido de vez. A decisão de enfrentar o mundo em busca de sua felicidade o modificou.
A batalha que ele travaria seria cansativa, difícil. Ele tinha medo de dizer adeus.E, talvez fosse esse o motivo maior de sua dor.O adeus não permite retorno, não permite arrependimento. Durante muito ele encarou tudo aquilo como um “até logo”.Doloroso, apavorante, frio.Mas ainda tentava se agarrar na esperança do perdão.Ele sabia que sempre perdoaria os erros de quem ele amava.Era dele, sua idiossincrasia o definia assim. Mas, em seu intímo, sabia que jamais ouviria tais pedidos das pessoas que o feriam.Ele cansou dos golpes que lhe desferiam.E, um dia, ao olhar-se no espelho, resolveu que se curaria sozinho.
Finalmente, ele entendeu que percorreria a estrada solitária. O medo das dificuldades seguravam em uma de suas mãos.O pavor de tal batalha ser em vão, tomava-lhe a outra mão.Mas em seu peito, ele sabia que o seu adeus seria, também, sua redenção. Sabia que sua vida mudaria alí, sua segunda chance começava agora.E ele foi. Mas, dessa vez, sem olhar pra trás.

Jean Carlos Carvalho
Fim de relacionamento

O fim de um relacionamento sempre causa muita dor.Mas também pode trazer muita aprendizagem.Eu pensei muito.Quis reverter muitas coisas.Tive atitudes ruins, infantis até.Mas, depois da dor acentar, percebi que foi melhor assim.Durante muito tempo, eu tentei suprir necessidades de uma pessoa que jamais vai ser saciada.É complicado competir com amores do passado.Ainda mais quando esse amor é tão perfeito.
Nossa, competir com a perfeição é difícil.Por mais que você aja, mostre.Nunca será o suficiente.E o pior.Experimenta ver a pessoa que você ama chorando por outro alguém e te pedindo pra que você a ensine a amar e a esquecer.E você lá.Firme.Segurando a PORRA da tua dor.Porque é isso q fazemos quando amamos.E o que aconteçe, no meu primeiro erro.Estou solteiro.Ai, eu me perguntei por um bom tempo.Será que é tão difícil perdoar alguém? Dar uma segunda chance.Mesmo a dor sendo grande.Eu pelo menos daria essa chance.
Eu nunca fui anjo.Desde muito novo, perdi a confiança nas pessoas, na vida até.Então, não venha me pedir pra ser tão perfeito porque eu não consigo.Eu erro, traio, minto, omito.Sou humano.E já me decepcionei muito na vida.E vou continuar a errar porque só assim é que se aprende.
Agora volto a enxergar o meu tão temido futuro.A hipocrisia bate a porta.E as pessoas que ontem amávamos com tanto fervor nos revelam a outra face do amanhã.Pior que somos assim mesmo.Eu tenho minhas máscaras.Mas o problema é que eu não consigo mentir pra quem eu amo.Os meus sentimentos ficam estampados em minha face.
Hoje eu estou mudado.Sem me preocupar muito com o amanhã.Ele sempre será trágico.Estou distante, não frio, porque não consiguiria, mas simplesmente mudado.Disposto a deixar escapar os meus medos, minhas vergonhas, meus orgulhos.Me livrar da minha perfeição e das minhas imperfeições é o meu objetivo.Dificilmente me deixarei amar novamente.Não por medo de uma nova relação.E sim por ter aprendido que se você esta disposto a viver num conto de fadas, você não pode esquecer q existem dragões e bruxas também.Mas é assim mesmo.Depois de um grande amor a gente acaba se perdendo.Mas agora chega.Nunca mais ninguém me tira do sério...

Pequeno monstro
SEGUNDA CHANCE

Ele levantou-se de junto da árvore.Olhou pro horizonte, o pôr-do-sol ofuscou a sua visão. E, ele sorriu. Sentia-se banhado pelo sol. Sentia-se iluminado. Depois de tanto chorar, de tantas decepções, encontros e desencontros.Ele estava esperançosso. Porque estava em paz. Sua paz havia sido conquistada depois de muita luta. Depois de muito se anular e decidir-se por lutar pela sua felicidade.Antes de acolher-se junto aquela árvore sentia-se um menino.Triste, abandonado, desprotegido, amedrontado.Sentia que perdera demais, e já não lembrava o quanto redentor era chorar.Suas lágrimas haviam secado há muito tempo.Naquela árvore, pôde pensar na vida, no futuro.Em seus erros, em seus acertos.Viu o quanto perdera. O quanto ganhara. Entendeu que algumas lutas já estavam vencidas e que algumas outras batalhas apenas começaram. Revelou-se que tinha a força para aquilo e para o muito que ainda viria. Algumas pessoas, algumas vivências foram deixadas pelo caminho. Mas outras pessoas e outras vivências o acompanhariam por um bom tempo. Soube que tinha que lutar. Todo mundo cai na vida, mas pode-se escolher se você permanecerá caido ou se irá levantar. Ele decidiu se reerger.Ele decidiu se reiventar. Decidiu dar a cara a tapa. Decidiu que enfrentaria quaisquer batalhas depois daquele dia.Então levantou- se, encarou o horizonte e soube.Que sentara, na árvore, como um garoto. Mas levantará como um homem. Um homem que lutaria por sua felicidade, que lutaria pela vida.

JEAN CARVALHO