DOIS REINOS
Naquelas terras, havia dois povos distintos, com modos de viver tão diferentes.Um rio apenas os separava e não poderia haver contato. Mas isso mudaria....
O príncipe vermelho saiu percorrendo os campos em seu cavalo negro. E, ja cansado resolveu descansar na beira de um rio. Meio ofegante afundou o rosto naquelas águas limpas e quando emergiu, avistou um vislumbre de gente.Aquele foco, antes distorcido, tornou-se uma bela visão.Era o príncipe branco do outro reino.Eles riram um para o outro. E sentiram um misto de ansiedade e curiosidade não antes sentido.Sabiam que precisavam se aproximar, e decidiram atravessar o rio. O príncipe vermelho sempre fora impetuosso e como tal lançou –se ao rio.Sem preocupar-se com a correnteza que poderia lhe levar.O príncipe branco ficara perplexo com tamanha ousadia.Mas decidiu dar a mão aquele louco desconhecido.Trocaram o primeiro cumprimento e perceberam o quanto eram diferentes.Mas as diferenças os atraiam, os incitavam a conhecer um ao outro. E durante tal conversa, eles se quiseram e por um instante chegaram a acreditar que poderiam encontrar o meio-termo, o território neutro entre ambos. Sentaram, conheceram-se. E, de tal proximidade surgiu um beijo proibido. A vergonha estampava os seus rostos, mas o querer bem exalava por seus olhos.E decidiram ficar a margem por um tempo. E, durante esse tempo foram muito felizes e chegaram a acreditar num caminho em conjuto.Mas eis que o medo sempre batia a porta de ambos.E o vale do impossível formara-se entre aquele querer.E, quando foi chegado o momento crucial, de se enfrentar os reinos que temiam ser um único, O príncipe branco fraquejou e decidiu retornar sozinho.E, ao príncipe vermelho restou apenas a dor de ter que atravessar aquele rio e retornar para o abandono de seu reino.O príncipe vermelho continua a cavalgar por seus pastos e decidiu que todos os dias iria aquela mesma margem do rio, até o dia em que vislumbraria a coragem nos olhos de seu amado. E, talvez nesse dia, percebam que a diferença entre os seus reinos e entre eles era na verdade a maior semelhança e a única forma de mudar a realidade de suas vidas.
JEAN CARVALHO
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
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