sábado, 9 de outubro de 2010

AS VEZES O ADEUS É UMA SEGUNDA CHANCE

Diante de todas as infelicidades, culpas, erros, medos, angústias tendemos a achar que o caminho mais fácil é o da aceitação.O menino chorava. E, mal compreendia porque estava tão só.Durante muito tempo ele viu as relações familiares e suas amizades se perderem.Ele lutou.Lutava desesperadamente para segurar a última mão que ainda lhe atava os dedos.Mas, assim como a neve que cai e derrete quando o sol surge, os dedos escoregavam sempre.E, ele terminava vazio, incompleto.
Só restava a ele sofrer.Não entendia como o que antes era amor hoje ressoava em ódio.Não percebia que a sua luta já a muito era uma batalha vencida.Ora se culpava, ora entendia que era ele o bode expiatório daquela história. A mãe jamais se culparia por ter um filho assim.Ela sabia que o seu Deus, e,nesse ponto o menino entendia que esse Deus era o Deus dela e não o Deus em quem ele acreditava, jamais permitiria em sua consciência que fosse esse o caminho do filho. O pai jamais admitiria tal coisa.Vergonha como essa nunca passaria.E o menino chorou.E o seu interior mudara.Sentiasse raivoso, mas não perdia a esperança de sorrir novamente.Pensava que um dia voltaria a segurar em suas mãos.
A vida era dura, ardúa.Sabia que estaria sozinho.Eis que era o seu momento de entender que jamais se recupera o que se foi perdido de vez. A decisão de enfrentar o mundo em busca de sua felicidade o modificou.
A batalha que ele travaria seria cansativa, difícil. Ele tinha medo de dizer adeus.E, talvez fosse esse o motivo maior de sua dor.O adeus não permite retorno, não permite arrependimento. Durante muito ele encarou tudo aquilo como um “até logo”.Doloroso, apavorante, frio.Mas ainda tentava se agarrar na esperança do perdão.Ele sabia que sempre perdoaria os erros de quem ele amava.Era dele, sua idiossincrasia o definia assim. Mas, em seu intímo, sabia que jamais ouviria tais pedidos das pessoas que o feriam.Ele cansou dos golpes que lhe desferiam.E, um dia, ao olhar-se no espelho, resolveu que se curaria sozinho.
Finalmente, ele entendeu que percorreria a estrada solitária. O medo das dificuldades seguravam em uma de suas mãos.O pavor de tal batalha ser em vão, tomava-lhe a outra mão.Mas em seu peito, ele sabia que o seu adeus seria, também, sua redenção. Sabia que sua vida mudaria alí, sua segunda chance começava agora.E ele foi. Mas, dessa vez, sem olhar pra trás.

Jean Carlos Carvalho

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