quarta-feira, 26 de maio de 2010

AMOR ALÉM DA VIDA - PARTE 2

César encontrava-se atordoado com tudo aquilo. Conheçera Marco em uma festa.Tinha se encatado por ele.E, ao mesmo tempo descoberto,que Marco o conhecia melhor do que ele mesmo.Nunca alguém tivera enxergado tão profudamente sua alma como ele fizera.César sofrera muito.Pela não compreensão de sua família, por ter perdido muitos amigos e por perder o seu maior amor. E, externava uma felicidade pra não ter que encarar o seu maior medo: o de ficar sozinho.
Agora César lembrava daquela manhã em que esbarrara em um homem ao sair correndo de uma sala para outra.Pediu desculpas áquele homem,que parecia meio abobalhado ao olhar pra ele.César estava ferido demais pra perceber que aquele homem que o encarava de uma forma que ele não conseguia decifrar era ,na realidade, um dos homens mais bonitos que ele já vira em sua vida.E agora quem tinha o olhar meio abobalhado era César.E, pela primeira vez,não soube o que fazer.

-Calma,eu não sou nenhum tarado.Não estou te vigiando,nem te perseguindo.Eu só precisava te ter por perto.Olhar mais uma vez em teus olhos.E, te observar de longe, tornou-se um vício pra mim. – Falou Marco.

César permanecia sem entender ou acreditar no que ouvia.

-Se eu te assustei, prometo que me afasto e ...

Quando Marco disse aquilo, César sobressaltou-se e disse:

-Não! Eu não estou com medo.Só meio confuso.Porque você nunca se aproximou?
-Eu tive medo.Medo de te assustar. Medo do que você ia pensar.
-Não devia ter medo. Você não tem idéia do seu poder sobre as pessoas,têm?
-Como assim?
-VocÊ tem se olhado no espelho ultimamente ? Você tem consciência da sua beleza ?
-Ah! Isso. Tenho sim.Mas eu me cansei de corpos vazios,olhares perdidos,gemidos banais, prazeres dissimulados. E, principalmente, me cansei de relações sem sentimentos.

César absorvia tudo aquilo e se identificava com o discursso de Marco.Por muitas vezes, César acreditou em amores eternos que acabavam no dia seguinte.Acreditou em prazeres que nunca vinham acompanhados de carinho. E, durante muito tempo, César buscou minar cada lágrima que rolava em seu rosto após cada uma dessas constatações. Mas agora, ao olhar no olho de Marco,sentia que não mais choraria sozinho se confiasse nele.
A confusão de sentimentos tomou conta de César.Ele agarrou Marco para si e o beijou.Era a hora.A hora de se permitir ser feliz novamente.
Ao fim da festa, Marco ofereceu uma carona a César.Durante todo o trajeto eles buscavam se olhar e não precisavam dizer mais nada.Ao chegarem no apartamento de César.César convidou Marco para subir com ele.Eles sabiam que seriam um do outro mais cedo ou mais tarde.Então, pra que tentar evitar o que não poderia ser evitado.
Quando entraram no apartamento, os dois se agarraram e, em poucos minutos, suas roupas já estavam no chão. Marco afastou-se para contemplar aquele corpo que seria só seu a partir daquele momento. César era lindo. Nem gordo, nem magro. A pele morena clara. O cabelos e os olhos castanhos claros. Para Marco, o corpo mais lindo que ele já vira ou desejara.
César também olhava Marco.Um moreno alto,forte,de olhos escuros profundos.Aquele olhar desmacarador, dominador e que ,ao mesmo tempo,passava a César a certeza de que ele jamais naufragaria se navegasse no mar escuro daqueles olhos.
Os dois trocaram um beijo único.Agora plácido.Eles não tinham pressa.Teriam um ao outro para sempre.Enquanto as linguas se tocavam suavemente, as mãos percorriam o corpo um do outro.César sentia a rigidez daquele corpo onde repousaria sempre que precisasse descançar.Marco sentia a maciez daquela pele que o reconfortaria dali pra frente.
Na cama, se abraçaram e sentiram o toque,a firmeza e o carinho um do outro.Marco olhou nos olhos de César, o beijou com todo amor que ele já sentia desde o dia em que conheçera César, e o penetrou com toda gentileza, com todo carinho que pôde.Marco olhava no olho de César e ,de acordo com a sua reação, sentia a maciez do interior de seu amado.César olhava Marco e sentia uma alegria profunda.Ele era de Marco.Marco o tinha ali, naquele momento.E, se dependesse de César, o teria pra sempre.
Os corpos se movimentavam num ritmo calmo, com movimentos ritmados.E, a cada penetração, um beijo era trocado.Nesse beijo, muito mais do que saliva era trocada.Havia a troca de alma, a troca de espiríto.O sexo ,para eles, não era um ato. Era a fusão. Fusaõ de dois seres que ,durante muito tempo, buscaram um ao outro. Dois seres que se perderam em muitos relacionamentos ruins.Que durante muito tempo desistiram de suas buscas.E que agora, eram um só.Se perteciam.
As gotas de suor percoriam o corpo de um e iam terminar no corpo do outro. Os narizes percoriam o corpo um do outro.Captando cada pequeno cheiro que o outro tinha.As bocas percoriam pescoços.As marcas eram deixadas em seus corpos.Não marcas de violência, mas marcas de posse. Não a posse escravocrata. Mas a posse de serem um do outro dali até a eternidade.
A loucura daquele ato tornava real o sentimento que existia em ambos.Eles não transavam.Eles materializavam o amor.E, em uma troca de olhar, Marco e César atingiram um prazer que ambos jamais conseguiram atingir.
Após repousarem um sobre o corpo do outro, Marco olhou nos olhos de César e disse:
-César, eu te esperei por muito tempo.E ,agora que eu te tenho, você será meu por toda minha vida...Eu te amo!.

César sabia que tudo aquilo era prematuro.Ele havia prometido a si mesmo que jamais agiria por impulsso.César pediu a Deus que os abençoasse, que cuidasse daquele amor que surgia naquele momento. Olhou para o rosto ainda ofegante de Marco e disse:
-Marco, eu havia desistido de ser feliz.Mas hoje você me ensinou o que realmente significa felicidade.E eu quero me permitir ser feliz.Agora sim de verdade.E, é com você. O meu prometido.O meu presente de Deus. Serei teu não por toda minha vida, mas pela dimensão que compreende o pós-vida. Eu também te amo...te amo além da minha vida.
Jean Carlos Carvalho

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